“AGORA, EU VOLTO ÀS ORIGENS”
Em entrevista exclusiva, Michael Joseph Jackson fala de seu recém-além, traduz sua vida e garante que muda agora – antes tarde do que nunca
Guilherme Póvoas
Magro e descabelado, mesmo que com alguma preocupação com sua aparência. Foi uma semana de intensa negociação e ligações ao além – que passaram até mesmo por Tom Capone e Notorious B.I.G. – até que o hoje desminliguido Michael Jackson confirmasse sua entrevista ao Blog do Póvoas. Assim, este veículo sai na frente do pessoal do TMZ e adianta, a seguir, como e por que [para por aí] Jacko morreu no último dia 25. O músico-produtor-dançarino-compositor-coreógrafo-empresário-rei-do-pop-soul-e-pai-de-três-filhos diz, com sua voz tão fina quanto afinada, que não tomou demerol no dia em que faleceu, mas confirmou que costuma chamar seus coquetéis de remédios de 'tônicos de saúde'. “It makes me feel better”, garante ele. A seguir, os melhores trechos da entrevista concedida no telhado do que ainda é o rancho Neverland sob a condição de que “não usasse fotos recentes da minha pessoa”. Afinal, conforme Jackson, ele está voltando “às origens”. Confere aí!
Blog do Póvoas – Este famigerado rancho, o Neverland, está em vias de se tornar um santuário, uma espécie de local de adoração por parte de seus fãs. Isso lhe anima?
Michael Jackson – Que sirva de espaço para as crianças terem sua diversão, pular, jogar, sonhar. Imagina! Foi para isso que Neverland foi criado, não precisa mudar depois da minha morte. E eu deixei coisas por lá, peças de arte, artigos pessoais, obras raras que precisam ficar exposta de alguma forma, de algum jeito. Lembro que foi mais difícil construir minha carreira como músico do que levantar e ornamentar aquele rancho em Santa Ynez [Los Angeles, EUA]. Enfim, isso o dinheiro explica. Dizem que lá eu nunca tive privacidade, mas enganam-se.
BP – Como você está sendo tratado no céu?
MJ – Por algum motivo, me colocaram numa ala repleta de comunistas. Estavam todos lá, a maioria eu jamais havia ouvido falar sobre. Mas logo percebi que eram grandes figurões na política mundial, principalmente na América Latina e Europa. Quando eu cheguei, os comunistas de lá deram uma festa. Fiquei sabendo depois que é uma festa tradicional, que eles fazem sempre que alguém novo e notório chega naquela ala. Eles têm até uma faixa guardada para colocar na entrada do alojamento – que eles chama de comuna – nas noites de festas.
BP – E o que está escrito nesta faixa?
MJ – Estava escrito: Seja bem-vindo, mais um comedor de criancinhas.
BP – Ironia do destino: você sempre esteve no topo da parada musical. E agora morre em função de uma parada cardíaca [risos].
MJ – [Jackson não responde. Olha fixo para o entrevistador com cara de poucos amigos].
BP – Desculpe, piada infeliz, tem mais graça em português. Mas, então, o que você estava fazendo antes de morrer e o que realmente o levou à morte?
MJ – Estava assistindo ao Cartoon Network, tranquilo. Não lembro qual o desenho que estava passando, já que estava quase dormindo. Eu estava cansado pois os ensaios para a turnê [That Is It, a derradeira turnê de Jacko] vinham se intensificando. Aqueles ensaios no Staples Center eram um saco – pelo menos disso eu me livrei. Ir para o Staples só serve para assistir ao jogo dos Lakers, é um terrível lugar para ensaiar um show. Enfim, com este cansaço todo, tomei alguns remédios para ajudar ao sono.
BP – Quantos e quais?
MJ – Ai, por que você está fazendo isso comigo? Quantos? Não lembro. Se muitos? Sim, vários. Quais? Rivotril estava entre eles. Mas todos que tomei haviam sido recomendados pelo Conrad [Murray, médico de Jacko]. Talvez eu tenha tomado uns tônicos de saúde extras, passado da conta. E aí, mais as doses homeopáticas para emagrecer, mais aquela pílula para que eu me separasse do vício de fortificantes capilares, mais um tylenol para curar a ressaca, mais os cremes para rejuvenescer a pele, mais...
BP – Quantas drogas, lícitas, você tomava por dia?
MJ – Quantas? Não sei. Muitas? Sim. Mas Conrad dizia para eu diminuir, ou melhor, recomendava. Ele nunca foi contra mim, contra minhas vontades, meus anseios. Talvez por isso, eu sempre continuei tomando o quanto queria, sem obedecer a ordem médica. Na noite em que morri, ainda enquanto assistia aos desenhos na TV, liguei para Conrad para perguntar sobre algum remédio relaxante muscular. Não que eu não tivesse em casa, mas queria saber qual deles deveria tomar. Acho que foi aí que ele sentiu que eu não estava bem, estava exagerando na dose.
BP – Assistia a desenhos e caiu em parada cardíaca?
MJ – Isso mesmo. Como você sabe?
BP – Como eu sei? Suponho que sei. Uma dúvida que vai deixar de ser eterna agora, se você falar a verdade: por que sua pele, de negra, ficou branca?
MJ – Um pouco de vitiligo. Aproveitei esta situação e descobri um creme que deixa a pele mais clara. E descobri também uma linda mulher, Debbie Rowe, que aceitava passar uma espécie de tinta para a pele em mim durante todos os dias. Ele pedia uma coisa boba em troca: casar comigo. O preconceito à minha cor falava mais alto – mesmo sendo eu o primeiro negro a fazer sucesso na MTV. Perdi minha cor, perdi minhas raízes. Mas, mesmo assim, minha música permaneceu em sua melhor forma. Isso ninguém pode negar. Agora, vou mudar. Antes tarde do que nunca.
BP – O que você quer dizer com “mudar”?
MJ – Agora, eu volto às origens, às minhas raízes. Minha época bad, ou até antes disso. Tenho saudades daquele tempo, daquele pessoal que dançava comigo porque gostava da dança. Hoje em dia tem cada Justin Timberlake querendo passar por estrela... Meu cabelo vai voltar ao antigo black power. E vou ficar, pelo menos, moreno de novo – nem que seja tomando o sol divino [Jacko olha para o relógio, demonstra pressa]. Quero reiterar aqui que adoro meus fãs, amo eles, e agradeço por tudo que eles fazem e representam para mim.
BP – Tá! Finalizando, Michael, segue uma especulação sobre seus filhos, sua herança. Muitas coisas ficaram indefinidas.
MJ – [Jacko se levanta] Obrigado pela entrevista, foi melhor que aquele conversa que tive com Martin Bashir [no documentário Living With Michael Jackson, em 2003].
BP – Jacko, só mais uma pergunta, para finalizar...
MJ - This is it [Jacko se levanta da cadeira e vai embora].
9 comentários:
Mas já? Muito boa.
Poxa! O cara não gosta muito de falar mesmo! E o moonwalk, não te ensinou a fazer?
boa!!
Muito bom, guilherme!!!
A da ala de comunistas foi fantástica!
BEM LEGAL...ALGUMA COISA ME DIZIA QUE VC IA FAZER UMA COM ELE...
É, a dos comunistas foi de mijadeira. Mais rutz que os copinhos do Jackson/Pepsi, só um que eu tinha do Mundial de 90. Jogador: Silas!
Oi, Guilherme! Cheguei aqui pelo blog do Tacho e quando vi tua fotinho bateu saudade. Então, fica o abraço (gelado do sul) e um beijo com carinho. Preta (VS)
Ta, e aí? Vagabundeou de vez! Vai esperar um próximo ícone do planeta bater as botas para entrevista-lo? Se é o José Alencar que tu espera, pode providenciar outra entrevista! O homem é como o Grêmio: imortal!
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